terça-feira, 8 de março de 2011

Na companhia de mim mesmo- Capítulo 4 - Marcas de Guerra

O rosto estrebuchado e sangrando da prostituta asiática morta estrangulada em Las Vegas, lembrava o rosto de Willhelm quando passava tempo de mais com o velho Jack Daniels.

Lembrava também o rosto de Willhelm quando este perdeu um olho.
Coisas da guerra.

Uma mão segurando o olho dependurado por uns 2 centímetros abaixo de onde deveria estar o olho. E a outra segurando sua primeira arma, que utilizava como último recurso, que explodia a cada tiro, até o sexto e último.


Willhelm saiu vivo dessa. Mas isso não significava nada bom. Ainda assim, ele perdera um olho atingido por estilhaços de granada.


Willhelm, poderia até entender os motivos da guerra, mas ele não queria.

Se fosse para guerrear, guerrearia, adorava fazer aquilo. E faria, é claro, para os mocinhos.
América.


Enquanto escreve, Willhelm pensou em chorar pela Japonesa. Não passou disso, um gole do velho Jack e ele já tem coragem para pular um capítulo e falar sobre a guerra.

Sim, ele amava beber. E não bebia só por isso. Bebia porque se tornava um homem mais forte e menos sentimental ( adjetivo deplorável no dicionário de Willhelm), e entre outras coisas, porque era dependente física e mentalmente disso.

Não era um vício como o cigarro ou cartas ( que também estavam intrincados na alma de Willhelm). Era um vício que o completava. Um vício que era virtude.

Tinha marcas de guerra ? Sim. Não tinha um olho, o esquerdo, era levemente e astuciosamente manco, e claro, haviam as lembranças.

Como a maioria das pessoas, Willhelm sente até hoje as marcas da guerra.
Como a minoria das pessoas, Willhelm consegue dormir tranqüilo até hoje.

Ele amara os tempos de guerra. As bebedeiras, as brigas de faca, as cidades vazias, a vida melhorara muito desde o doze anos...


Mas, ele não foi recrutado.


Era só mais uma pessoa tentando sobreviver na América, agora, arrasada.


Ele não entendera muito bem, mas havia alguns soldados nas ruas ( não Americanos), matando gente.
Ele não entendera muito bem, mas parecia que todos os Estados Unidos da América haviam sido invadidos.
Ele não entendera muito bem, mas seu país parecia estar tomando medidas drásticas.





Podia ser o efeito do velho Jack, não seria a primeira vez, mas era tudo tão real.

"Que se dane", pensou Willhelm, assistindo na Tv, milhares de soldados de olhos puxados matando americanos, e ao mesmo tempo levando o copo a boca, sem perceber estar vazio.

"Que se dane", reproduziu Willhelm no seu caderno, agora com um sorriso enferrujado e amarelo e ao mesmo tempo o mais sarcástico do mundo.



Willhelm, não sabia, mas estava certo, sempre estava.


Seja em 2022 ou 2070, danação seria um conceito presente em cada dia de sua vida miserável.

"Que se dane", escrevia Willhelm, com um sorriso amarelo de escárnio e uma reflexão:


Como a unica vida da terra poderia, de algum modo, ter sido a dele ?







10 comentários:

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  2. muito bom esse blog
    to seguindo segui o meu
    http://elgoogbrasil.blogspot.com

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  3. Post criativo e cruel demais
    Passa lá tbm.. ;)
    http://estigmaangel.blogspot.com/

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  4. Puta... Las Vegas, mistura digna para uma história muito interessante!
    Mais, fiquei sem entender muita coisa da história!
    rs
    =]

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  5. OLÁ.
    ADOREI SEU BLOG E ESTOU SEGUINDO.
    ME SEGUE DE VOLTA?
    WWW.AMORIMORTALL.BLOGSPOT.COM
    BEIJOS

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  6. Olá!

    Ah, fico extremamente feliz em ver um colega escritor! Apesar de ainda não ter nada publicado, já escrevi algumas obras e fico contentíssima por perceber que se tem escritores de boa índole e qualidade.
    E, a propósito do texto, uma escrita excelente.

    Abraços!

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  7. Noooossa adorei esse post, parabéns

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  8. De caráter realista e pouco subjetivo subjetivo, uma boa junção...

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  9. O que poucos entendem é que é altamente subjetivo esse texto.

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  10. Muito criativo a história, o texto se constroe rapidamente em nossa cabeça, as palavras são bem escolhidas.
    estou te seguindo
    parabens pelo texto

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